[…] É pq eu não consigo enxergar o amor… Não o vislumbro… Acho-o tão efêmero que confundo-o com a paixão. Mas eu quis dizer isso que vc disse, e pra mim paixão é isso, uma vontade intensa de fundir-se com o outro, de conhecê-lo de cabo a rabo, de norte a sul, de leste a oeste, sugá-lo como o beija-flor suga a flor, de consumí-lo em segundos, de perder-se no vácuo do universo, uma coisa louca de querer guardar aquele ser dentro do seu peito, como se este órgão chamado coração fosse o mais confortável e seguro dos ambientes, imiscuir-se de tal forma com o outro que seria tal qual diz a letra da música, ‘sombra no lençol que tateia a pele fina’1, teria coisa mais intensa que essa? Não sei, não sei.
Acho que
‘sonhar pó na mina’, ‘sonhar com britadeiras’, é sonhar com a intensidade, com o calor, com a paixão que lhe consome… Afinal, o ‘pó na mina’ é o que restou das máquinas que consumiram, lapidaram, dilaceraram as pedras, não é!?

1 – Música ‘Noite Severina’ de Lula Queiroga e Pedro Luís

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