Se ele gostasse daquela sua verruga. Ou daquele pequeno defeito no dedo mindinho do pé. Ou talvez de como os cabelos dela ficavam totalmente desarrumados ao vento. Quem sabe das espinhas que ela fazia questão de esconder. Ou até daquela gordurinha que ganhara no último ano. Quem sabe assim, gostando dessas pequenas coisas que convencionou-se tratar por defeitos, talvez só assim não teria acontecido todo o seu infortúnio. Ele apaixonou-se por seu sorriso, por seu brilho no olhar. Apaixonou-se pelo rótulo perfeito de sua embalagem. Atribuía-lhe elogios ao óbvio. Não conseguiu minar seu olhar para ir além, não ultrapassou a maquiagem, os produtos para o cabelo, a roupa metodicamente escolhida, ou seus tênis. Mirava sempre aquele sorriso. E, por não ir além, alcançou o que todos os outros alcançaram. Ela nunca encontrou alguém que admirasse seus pontos fracos. Eles nunca esqueceram seus pontos fortes.

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