junho 2012


Com os olhos, miúdos
Vejo as pernas que passeiam
Apressadas, lentas, esforçadas

Vejo o tempo que passa
No passeio da sombra do poste
Descendo morosamente a ladeira

Vejo os garotos que sobem, apressados
Afanam bolsas, levam pertences
Dobram e se perdem, na esquina

Com os olhos, miúdos
Vejo as carnes que se desgastam
Os sorrisos que se apagam

Vejo os que fingem não me ver
Com olhares miúdos
Fogem desta calçada

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E então as palavras me faltam
– saem trôpegas
E a cada bobagem dita, lateja forte o peito
– o sangue parece não se conter.

(A gente pode ter todas as palavras
– ainda assim nunca encontra as corretas)

O Livro das Perguntas cabe em um bolso
– e tem mais respostas do que carrego de certezas.
Uma criança vê o mar pela primeira vez
– e não sabe por onde começar a olhar.
(Foi como me senti naquele dia que te vi)

O tempo se enfumaça nessa madrugada
– enquanto ainda aguardo as palavras corretas.
(Será que é de palavras que preciso?)