Com os olhos, miúdos
Vejo as pernas que passeiam
Apressadas, lentas, esforçadas

Vejo o tempo que passa
No passeio da sombra do poste
Descendo morosamente a ladeira

Vejo os garotos que sobem, apressados
Afanam bolsas, levam pertences
Dobram e se perdem, na esquina

Com os olhos, miúdos
Vejo as carnes que se desgastam
Os sorrisos que se apagam

Vejo os que fingem não me ver
Com olhares miúdos
Fogem desta calçada

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