Mirava displicentemente a janela de seu quarto, entre rascunhos desenhados e o relatório incompleto brilhando na tela. Os pensamentos seguiam uma torrente confusa. O olhar, estúpido, letárgico, opunha-se à confusão que lhe atormentava. Em poucos dias deixaria sua cidade novamente. Quando fez isso, de início, parecia ter certeza do que desejava. Seus sonhos, de alguma forma, estariam ali, naquela decisão tomada. Guardados em um saquinho, cuidadosamente amarrado e disposto num canto da mala. Agora, questionava-se novamente sobre os acontecimentos. Os primeiros meses não foram fáceis, mas tinha maturidade suficiente para saber difícil os primeiros passos em um novo caminho. Aceitara as dificuldades e metera-se a se adaptar. Por que, então, agora, após todo esse processo, voltara a se questionar sobre sua decisão? Teria sido acertada? Uma bela borboleta pousou serenamente em uma folha, disposta em um galho defronte à janela. Isso a tirou, por um momento, de seus pensamentos. Poucos segundos depois, um bem-te-vi, certeiro, tomava em seus bicos a borboleta.

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