O garoto uma vez viu, na TV, uma anomalia, um desses fenômenos raros que acometem as pessoas, viu alguém que tinha o coração do lado contrário, ou seja, do lado direito. Ficou entusiasmado com a ideia. Logo passou a acreditar que também tinha o coração do lado direito. Sempre foi tratado como estranho, como o contrário, como o que não se encaixava. Mas agora tudo fazia sentido: ele tinha o coração do lado direito. Passou a caminhar com um sorriso que substituía o sorriso tímido com o qual antes lidava com as situações. Quando perguntavam o que tinha acontecido, ele só dizia: tenho o coração do lado direito. Desse dia em diante, o garoto tornou-se uma poesia, independente da reação das pessoas, se riam ou se admiravam o fato, o garoto sabia que, a razão de tudo, era ter nascido com o coração do lado direito. E, para ele, isso tornava as coisas bem mais simples, pois haveria, com certeza, outras pessoas com o coração do lado direito, bastava encontrá-las.

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