a sala vazia. ando do imenso vão, pelo corredor, ao jardim. pequeno jardim. apenas uma flor emerge, a do pequeno cactus. todas as outras sucumbiram. secas. pela janela vejo as prateleiras da estante. vazias. apenas um livro resta, não reconheço a lombada. não consigo decifrar as letras. esse fim já havia sido previsto. um arco. obsolescência programada. essa era a estratégia da vida. volto à sala. ratos correm, em fuga, disputavam um pão largado à única mesa, situada no centro. a fumaça que flui do cigarro se demora a dissipar. a memória reconstrói a mobília. os habitantes. as discussões. os amores. as frustrações. os jantares e as agonias. quebrando o mormaço, uma forte brisa invade a sala, por uma das muitas janelas quebradas. nunca fui embora desta casa. e, no entanto, como ela faz falta. não ter ido embora é saber que não se tem para onde voltar.

Anúncios