Trazia presas, nos lábios, desesperadas palavras. Atordoada, engolida pela noite, fluía, freneticamente, da alma aos dedos, fugidias palavras. Frases a galope. Acusações frustradas, direcionadas ao léu. A alma, tão derrotada, levou ao grito seco, ao riso amargo, ao olhar cínico, aos gestos falsos. A pele, tingida de roxo, de vermelho, de cores marcantes, traduzia tão só o vazio desvairado de seu ser. Se escondia na noite e suas cores atraíam as presas. Foi sendo consumida, pouco a pouco, sem se dar conta de que sua metamorfose, sua pintura, era sua própria traição.

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