a gente vai contando os passos
incansáveis, até o próximo
próximo passo, próximo abraço,
próximo encontro

a gente vai fluindo, levemente,
através dos dias, do tempo
a gente passa, nuvem, água,
requentando o caldo

a gente transita, espiral,
buscando novamente o sorriso,
o riso, e o velho laço
ainda atado à distância

a gente cansa, a gente esquece,
cede ao tempo, cede à gravidade,
perde a esperança, perde o fio,
o nascimento e a morte

mas a gente ainda insiste,
constrói um barco, enfrenta a maré
sobe a correnteza, busca ventos,
rema, rema e rema

somos, sempre, essa força,
fugindo à solidão, buscando as origens
volta e meia, volvendo ao passado
ao seio, à amizade fugidia

só há uma dívida que vale a pena
que é a de reencontrar velhos braços
é a que se tem prazer em pagar
e o troco sempre vem em dobro

Anúncios