março 2014


no mundo
desmundo
sem rumo
desaprumo
volateio
no delírio
desassossego

Se há uma lembrança boa de infância é pegar fruta de quintal alheio e se deliciar. Vez ou outra era preciso ousadia, uma pedrada certeira, uma velocidade olímpica. Saltar muro, se rasgar no arame farpado, correr mais rápido que o piscar de olhos do velho do sítio da esquina. Manga, goiaba, pitanga, acerola, araçá, pinha, tudo era motivo para festa. Graviola, brinco-de-viúva, laranja, jambo. Nada escapava! Difícil mesmo era carregar a maldita da jaca. Sujeita pesada, nem três moleques pra levantar a dita cuja do chão. O jeito era mesmo esperar o convite do velho do sítio da esquina, que abria a jaca num piscar de olhos e servia pra molecada de olhos grandes se lambuzar.