dezembro 2011


era tua distância, esse obstáculo físico
– aço e concreto –
tua centelha ardia no ar
– chama invulnerável –

te via nua, em sonhos insuspeitos
– molhado em suor –
me vias assim, olhar semi-cerrado
– sorriso estreito –

rompi a distância, alcancei a centelha
roubei teu sorriso
– lábios cerrados –

para tanto depois, rompido o suspeito
me romperes palavras
– um mar congelado –

que adianta de teu peito
confidências desfeitas
– desvelado álcool –

não quero dessa feita
teu olhar, teu apreço
– que se dane! –

já não me importa
calor ou seus beijos
– quero outros braços –

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– O que você quer de mim?
– Seu carinho e sua amizade.
– Pois é…! E o que eu quero de você é seu amor e sua companhia…
– Mas…
– Nada mais justo… Nenhum de nós terá o que quer… Adeus…

Meu tempo – pequenino
Parecia não poder se encurtar mais
Tua distância – pequenina
Parecia não poder aumentar mais

Daquele ínfimo tempo
Daquele curto espaço

Quanto de sabor há de ficar?
Quando dissabor hei de amargar?

porto vazio
as almas zarparam
novos horizontes
novos portos
porto vazio

a cidade está em festa
é feriado
a cidade em festa

moro no porto
no porto vazio
que mira o horizonte
para onde as almas zarparam