fevereiro 2013


Se parou no tempo
O tempo parou no pulso
No pulsar do tempo
O tempo foi um impulso

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e é um ciclo
de ir e vir
de girar
em torno de si

ir no rastro do pôr do sol
retornar a cada amanhecer

correr mundo, comer poeira
pintar de cinza a face
lavar com a chuva a alma

volver pensamentos,
revolver cada cantinho de terra

só pra encontrar um caminho
que leve a dentro de si

Violência
A cidade reproduz a violência. Cada gesto, cada não-gesto, traz dentro de si a violência. O silêncio, o grito, carregam a violência.

Foram mais de 5000 pessoas destruídas, desalojadas, em um bairro que começou a formar-se como boa parte dos bairros da nossa cidade e qualquer outra cidade brasileira, através da ocupação e uso da terra. É uma história que se repete continuamente, só mudando os atores, só trocando as máscaras dos vilões e dos miseráveis. Mas o poder continua o mesmo. A estrutura opressora continua a mesma. O velho poder econômico, dominando o poderio político, judiciário e militar. A velha classe média, mesquinha e ambiciosa, calando-se – quando não defendem com garras e dentes, como bons cães adestrados, a classe mais alta que a oprime, espreme e ri da sua cara. E sob o massacre, milhares de miseráveis. Foi no Pinheirinho, são nas favelas e ocupações de Maceió, são nos assentamentos do interior.

“Derrubaram o Pinheirinho” não é só um documentário que conta a história de uma desocupação, mas é um esforço de mostrar o que está por trás de cada ação dessas, independente de onde ocorra.

Recomendo cada minuto dele. Parabenizo o produtor pelo belo trabalho de levantamento de imagens e informações. Um esmero que traz um retorno invisível, a partir do que suscita a cada pessoa que tiver acesso ao vídeo.

A luz artificial salta da janela. Luz permanente. Luz inebriante. Cega-me. A luz da janela me cega. Não vejo sombras, apenas luz. Perco-me no tempo. Uma gaiola feita de luz, sem grades. Movimentos negros de minhas asas perpassam a gaiola. Para onde voar? Para onde saltar? Como ir para longe da luz? A luz permanente me cega… E me aprisiona.

o espelho está distante hoje
– não me vejo –
voei em pensamentos pela janela
e me deparei com a imensidão

dessa vez não me assustei
os espaços vazios são enormes
embora pareçam sempre ocupados

percebi algo abaixo da superfície
tesouro esquecido, escondido, abandonado
– a superfície refletindo nossos egos –
e abaixo, e acima, o que existe?

mas dessa vez o espelho está distante
e a imensidão, além da linha que divide o horizonte,
não assusta mais,
é espaço estéril e fértil