outubro 2015


havia um retrato na sala que quem era ninguém mais lembrava. o avô não mais falava. a avó não mais estava. a filha mais velha não perguntava. o irmão mais novo não se importava. o neto ainda engatinhava. e a cor já desbotava.

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de vão em vão
os pensamentos se dissolvem
o que esperar de dias mornos?

lá fora é alvoroço
as balas rasgam o ar,
peitos e sonhos

do ar o sibilo, dos peitos o sangue,
dos sonhos a esperança

conduzo meus pensamentos
entre estradas ermas de árvores por florescer

– mas as flores nunca desabrocham –

me fecho em outonos fora da estação
invólucro-fruto,
amadureço, agridoce,
enquanto guardo sementes do amanhã