setembro 2011


Saudades dos castelos de areia
Da defesa das fortificadas torres
Das mãos erguendo muralhas
Das noites cavando fossos
Dos sorrisos a cada vitória
Dos abraços a cada derrota
O mar, as ondas – impassíveis
Arrastam todas as construções
Mas as lembranças, as saudades
Essas não se destroem
Apenas se diluem
Em meio a tantas e tantas outras
Lembranças, memórias e lágrimas

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Eu tinha uma pressa
– Mas era uma pressa muito fodida –
De chegar a algum lugar
De tanta pressa, de tanto caminhar
Eis que cheguei
E eis que nada havia
Que não houvesse d’onde parti
Ou por onde passei
E agora, não tenho mais aonde ir
Nem por onde passar
Nem pra onde voltar
Só me resta a pressa fodida
Que angustia meu caminhar

Uma alma bélica
Em frágil margarida
Não se embeleza em pétalas
Não se explode em disparos

Mãos ansiosas
Pesadas e desajeitadas
Pés tortos
Insistentes em tropeçar
Uma bússola
Que não aponta para o norte
Uma boemia de fachada
Sem cigarros, tragos ou orgias
E uma alma cheia
De amores vazios
É o que foi rabiscado no tempo
E que não há como apagar