março 2012


vôo rasante
pleno
distante dos montes
vôo rasante
sereno
mirando o horizonte
vôo rasante
denso
corpo que some

em suave manhã

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caminhos que divergem
laços que se desfazem
fotografias apagadas
cartas desbotadas

o vento que sopra suave
agitando as janelas
sussurra nomes
surdas palavras

foi apagando os nomes
que se percebeu sozinha
entre quadros – velhas gravuras
pedaços retorcidos de ferro
e a coleção de livros de arte

o velho apartamento
brilhava solitário
no esquálido crepúsculo
de uma tarde sem tempo

sua alma outrora envaidecida
agora adensava-se
ante o delírio angustiante
do imenso vazio do viver

Vem coisa bonita no mundo
– Vem mundo, se faz bonito
Pra receber o que de belo há por chegar
Te faz gracioso, te livra de tuas mazelas
Te veste mãe, te faz pai zeloso
Recebe do ventre teu novo filho

desconstruindo ela
peguei-me pensando em seus defeitos
seu sorriso sem graça
suas ideias conservadoras
seus planos fúteis
e sua maquiagem abusada

desconstruindo ela
peguei-me mentindo,
antes e depois,
uma grande querela

tua morenice
pele menina
riso distante
espalha nos dias
um hálito fresco
chocolate-menta
que a boca, faminta
deseja alcançar